quarta-feira, 1 de junho de 2011

Anne Frank III

Quase terminando de ler “O Diário de Anne Frank”, percebi o quanto alguns trechos reproduzem ideias importantes. É impressionante como uma garota pôde adquirir, aos 15 anos, mais maturidade e sabedoria do que eu aos meus (amanhã completos) 24. Ou ainda, mais maturidade e sabedoria do que a maioria das pessoas, independente de idade cronológica. Talvez o sofrimento a tenha levado a isso, mas a priori, deve-se questionar: quem é que não sofre?

Sabedoria definitivamente não escolhe idade.

Anne Frank II

Sabe, não consigo meter na cabeça como alguém pode dizer: "Sou fraco" e continuar assim. Afinal, se se reconhece a fraqueza, por que não lutar contra ela, por que não treinar o caráter? Sabe qual foi a resposta? "Porque é muito mais fácil". Fiquei decepcionada. Fácil? Quer dizer que uma vida inútil e falsa é vida fácil? (...) Um tipo como Peter acha difícil manter-se nos próprios pés, porém mais difícil ainda é manter-se como ser consciente e vivo. Se a gente o consegue, é duas vezes mais difícil conservar o rumo através dos mares de problemas e permanecer constante apesar de tudo. Quanto a mim, estou à deriva, há dias que busco um argumento contra a terrível palavra "fácil", um argumento que acerte as coisas de uma vez por todas.

(O Diário de Anne Frank)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Anne Frank

Há um ditado que diz: "O tempo cura todas as feridas." Foi o que aconteceu comigo. Achei que havia esquecido Peter e que já não gostava mais dele, nem um pouquinho. No entanto, sua lembrança ficou tão profundamente gravada no meu subconsciente, que por vezes cheguei a admitir que tinha ciúmes das outras e por isso é que já não mais o queria. Esta manhã percebi que nada mudou. Ao contrário, ao me tornar mais adulta, meu amor cresceu comigo.
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(O Diário de Anne Frank)

Nudez

Houve um tempo em que eu despejava toda a minha vida em palavras. Depois veio uma certa discrição, não é bom se expor a ponto de mostrar indiscriminadamente o verdadeiro "eu". Isso fragiliza, torna qualquer um vulnerável.
Ao se revelarem as pessoas ficam sem defesas, nuas. Já mostrei demais minha nudez.

domingo, 3 de abril de 2011

Ser ou não ser?

Às vezes me pergunto que tipo de pessoa tem medo da felicidade. E imediatamente respondo: eu. Quer dizer, o medo não é o de ser feliz para sempre e sim de não o ser.

Quem conhece a felicidade não se conforma com sua ausência.

terça-feira, 29 de março de 2011

?

Gostaria de poder escrever com maior frequência. Mais: gostaria de não ser tão crítica, não só com aquilo que escrevo, mas comigo mesma em geral.
A minha vontade é de desativar esse blog e recomeçar um outro, novo em folha, só com coisas novas e preferencialmente boas - que refletem meu atual momento. É o que penso em fazer. Por outro lado, tenho muito da minha história registrado aqui. Sei que nosso passado é responsável por nossa formação e venho tentando encará-lo dessa forma. Mas que incomoda, incomoda.

Melancia

Mas eu não ganharia nada em sentir ciúmes. E o pior é que o ciúme era causado por mim mesma. Era minha própria imaginação que me provocava a dor. Era o equivalente emocional a eu pegar uma navalha e dar um grande corte em meu braço, em meu estômago ou em minha perna. Ciúme era automutilação. Tão doloroso e inútil quanto.
E eu sentia a dor não porque algo acontecera comigo, mas porque deixara de acontecer. Por que algo que acontecia entre duas outras pessoas e não me envolvia me feria tanto?
Ora, que droga, eu não sabia. Só sabia que feria.

(Melancia, Marian Keyes)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sentenças

Adjetivaram-na de previsível. Talvez o fosse por uma razão: não se sentia à vontade para se permitir ser o que era. Suas ações acompanhavam a linha do esperado, pois não poderia se submeter ao julgamento alheio – seria ultrajante, afinal.

Sua consciência não lhe evidenciava o fato de que, independente do que pudesse ser ou fazer, sofreria as sanções dos julgamentos alheios. Compreender é ato digno dos fortes de espírito, ao passo que formular juízos é ato de menor complexidade, digno dos menos favorecidos.

Seguia assim. Eis que num dado momento, teve a epifania: não constituiria uma vida de leveza se tivesse em tão bom conceito a opinião de terceiros desimportantes.

Enfim, tempos de liberdade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A leveza e o peso

Aquilo que o "eu" tem de único se esconde exatamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar aquilo que é idêntico em todos os seres humanos, aquilo que lhes é comum. O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, portanto aquilo que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, aquilo que precisa ser desvelado, descoberto e conquistado do outro.

(A insustentável leveza do ser, Milan Kundera)