quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Lembrete

quando as intempéries chegarem, que eu não me esqueça de quantas vidas salvei, quantas almas amei, quantos sorrisos plantei e de tudo quanto fui capaz de revelar àqueles que me demandaram. Além, que eu não me esqueça de toda a esperança que semeei no coração de cada um com quem estive.

Ensinar alguém a, não apenas acolher e respeitar a própria dor, mas também a convertê-la, é um privilégio e um superpoder.
Que eu jamais minimize o bem que perpetrei. E quando a tempestade chegar, que eu possa me molhar feliz na chuva que cairá, tendo a convicção de que reguei, com meu afeto e empenho, o núcleo das emoções dos que me requereram.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Capitólio

Houve um tempo em que amar doía uma dor pungente como o fio da navalha. Incontáveis lágrimas deslizaram por minha face durante tempo o bastante para eu não desejar mais poder contar o tempo. As tentativas, frustradas, se repetiam enquanto a exaustão escalava o topo de nossas cabeças e muitas vezes nos questionamos se haveria, de fato, saída. Sim, o percurso não nos foi resumido: ele se estendeu copiosamente, até nossos sapatos gastarem quase todo o solado. Todavia hoje, ao olhar para trás, concluo: valeu a pena. Como é bom viver a bonança ao seu lado!

Se antes eu dizia: "te amo tanto que até dói", hoje sou grata por finalmente poder dizer: "te amo tanto que não cabe em mim".

Nosso amor triunfou, enfim.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Preto e vermelho (2025)

 



Vem cá, meu bem, que tenho coisas a lhe falar. Desde que nos reencontramos, muito dentro de nós se refez. As sombras, antes tão hostis, tornaram-se cúmplices. Agora, a noite também se faz dia!
A poesia voltou a ser rotina e o mundo se ampliou, estendendo-se aos mais longínquos multiversos. E em todos eles você está!
Amanhã é outro dia, outro ano, um novo percurso nutrido de conquistas, com tantas rubedos quanto podemos imaginar.
Neste novo ciclo vislumbro um horizonte lindo, no qual a escuridão se finda pouco a pouco e a alvorada revela um hodierno céu vermelho, da cor do nosso amor.
Que todos os portais se abram para abraçar a flama desse bem querer. Porque é você, sempre foi tão somente você! E sempre será!
Feliz novo nós!


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Água viva

 


Uma tela acesa. Ouço o som que sai dos fones nos meus ouvidos enquanto olho para o firmamento. O Sol nascendo, a mente a divagar, devagar.
Onde é que você está? Para onde vai a alma daquele que se foi?
Crio cenários onde sorrimos, transformamos memórias em poesia, cantamos. Neles você me responde coisas que só você sabe e me relembra o quanto me amou enquanto esteve por aqui. Foi curto, mas precioso o tempo. Sabe, você não precisava ir embora tão cedo. Tento entender o propósito e minha cabeça esquadrinha, frenética, desfechos possíveis para duas vidas que se entrelaçaram tanto. Por que você lá e eu cá? Por que não me é revelado saber se um dia verei novamente seu sorriso esculpido? Por que tantos pontos jogados a céu aberto? A angústia que não cala reverbera em minha mente seus anseios, seus encantos, seu sofrer.
Como você seria se estivesse aqui hoje?
Me ofereceria um trago do seu cigarro? Me chamaria pra dançar ou me perguntaria se ainda troco o dia pela noite? Ou simplesmente se ocuparia com política, melodias curtas e conversas tolas por dizer?
Daqui a 7 dias será outro ano. Nele, continuarei buscando as respostas que nunca encontro. Até lá, respiro, faço pausa e tomo nota, a mais importante: te amo onde você estiver.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Achei!

Quando um simples toque se transforma na mais poderosa corrente elétrica, quando não há pudores, quando cada dia vivido juntos se torna um agradável aprendizado, quando o cheiro da pele do outro se torna o melhor perfume já experimentado pelo seu olfato, quando o momento de sentir um abraço apertado se torna a parte mais esperada do dia, quando toda a sua admiração e orgulho pelo outro ultrapassam as barreiras do concebível, quando um olhar paralisa sua respiração, quando a vontade de estar perto é incontrolável, quando uma marquinha no rosto do outro se torna a coisa mais graciosa já vista, quando uma sequência de beijos te faz gargalhar de felicidade, quando o outro faz com que você se sinta o ser humano mais especial e amado do universo, quando você tem a plena convicção de que nada no mundo poderá separá-los, então, viva o resto dos seus dias para fazer essa pessoa feliz, pois você finalmente terá encontrado o seu amor de cinema, a sua alma gêmea, o seu par perfeito. Eu encontrei.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SR+

Uma vida controlada pelo Princípio de Premack: acordar cedo para trabalhar x te encontrar após o expediente; ir à faculdade x te esperar após as aulas; produzir artigos científicos x ter a sua admiração; fazer relatórios x dormir ao seu lado. Se não houvesse você como estímulo reforçador – o de mais alta magnitude, aliás – a vida com certeza seria apática, insustentável. Se o amor é um comportamento aprendido, selecionado por suas consequências, estou certa de que as consequências do nosso não poderiam ser mais positivamente reforçadoras. Só você sabe manipular contingências com maestria para provocar em mim a maior felicidade que alguém pode ser capaz de sentir. A propósito, você é minha contingência matricial. Meu reforço generalizado, minha fonte de dopamina, meu produtor de respostas galvânicas.
Você é tudo o que a ciência admite existir, mas ainda me deixa incrédula - tamanha a sua perfeição.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sua imensidão, meu mar

Marinheira de primeira viagem, eu mal havia aprendido a acertar os nós da vida até você chegar. Vivia enfrentando tempestades, águas turvas e navios piratas, sem sucesso. E, se dizem que mar calmo nunca fez bom marinheiro, cá estou pra provar o contrário, pois você é o mar sereno no qual eu sempre quis navegar. Esperei, sem cessar, por esse remanço, por essa bonança, que me fariam enxergar as águas límpidas e cristalinas da ventura.
Enfim, você chegou. Imenso, imerso, intenso.
E inundou meu coração.

sábado, 18 de julho de 2015

Tato

Impressiona-me o poder do seu toque. A forma como minha pele responde ao contato dos seus dedos propicia uma certeza de que não existe melhor sensação a ser experimentada. Sentir-te dentro de mim é mágico e o que produz, ao certo, é inominável, mas se assemelha a um misto de plenitude e prazer irrefreável, que envolve fascínio, harmonia, placidez e amor. Sua pele me transporta para os lugares mais longínquos, seu amor me abastece, sua presença me liberta. E, embora seu toque seja responsável pelo meu nirvana, tenho a convicção de que nosso sentimento é metafísico, vai além.

Nosso amor tem bossa, tem urgência, virtude e calmaria. Nosso amor salva almas. E pensar que eu, tola que era, nem acreditava mais na possibilidade do amor como pedra angular do universo. Obrigada por me tirar do limbo e me trazer para a felicidade.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Novo dia

Hoje acordei perceptiva. Percebi que os pássaros cantam com mais beleza quando penso em você, que as cores são mais vivas e as flores são mais belas se o seu sorriso está presente. Acordei com vontade de comprar uma casa financiada e de dividir as contas do mês com você. De construir uma vida ao seu lado – três filhos biológicos, um adotivo, dois cachorros, um sagui, talvez um gato – todos muito bem condicionados por nós dois. Acordei com vontade de comprar um carro automático e sair por aí dirigindo com você ao meu lado, enquanto ouço você me dizer: “Você fica tão sexy dirigindo”. Assim que abri os olhos pensei em organizar uma nova playlist, só pra ver a sua cara de espanto ao ouvir minhas músicas preferidas e reconhecer que meu gosto musical é foda. Acordei lembrando de como você impressiona na guitarra (cara, você é o melhor) e dos solos que deixariam John Petrucci com uma certa pulga atrás da orelha. Acordei e percebi que hoje sou mais clichê do que nunca, simplesmente porque ao abrir os olhos, me dei conta: eu te amo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ψ

Um quarto, uma cama de casal, algumas roupas pelo chão. Ao fundo, a voz de Mick Jagger ecoando com “wild, wild horses couldn’t drag me away”. Ela, de calcinha, meias e uma camiseta preta estampada com um de seus rostos preferidos. Estava sentada no colo dele, pernas enlaçadas ao redor de sua cintura, olhos fixos nos olhos dele – os olhos mais belos e expressivos que ela havia visto em quase três décadas de existência. Naquele momento ele a contemplava, dizendo tanto sem proferir quaisquer palavras. Ela, hipnotizada pela pinta no canto direito do lábio superior daquele rapaz, repetia mentalmente “you know I can’t let you slide through my hands”. A dimensão das sensações de cada um deles era inefável e eles permitiam-se sentir, cada vez menos controlados por convenções. A noite era deles, afinal. A noite e a vida toda.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tapa a domicílio

Ding Dong.

- Pois não?
- Boa tarde. Você é a Mariana “Dangélo”?
- É “Dângelo”. Sim, sou eu.
- Então toma isso, sua vagabuda!

TAP!

- (???)
- Só vim aqui pra isso. Até logo!




*Baseado em fatos reais.

sábado, 3 de maio de 2014

O meu problema

O problema em escrever é que a gente, uma hora ou outra, acaba se expondo além do limite.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Do inconsciente

Ela tinha uma orca de estimação. A orca se chamava Orca, para fazer jus à sua extrema falta de originalidade. Pois bem, Orca vivia em uma piscina e nadava em movimentos quadrangulares enquanto era alimentada por sua dona.
Em um fim de tarde, a dona disse:

- Vem, Orca!

E a Orca saltou para fora da piscina.
Nesse momento, o que parecia sonho virou pesadelo. A Orca foi até as ruas, invadiu o comércio e começou a devorar todos à sua volta. A dona pedia para que ela parasse, mas a Orca não lhe dava atenção.

- Escondam-se dentro das lojas! – berrava a dona.

- Precisamos deter esse bicho! Temos que matá-lo! – diziam as pessoas, aterrorizadas.

Mas sua ligação com a orca de estimação era tão forte que ela não podia conceber a ideia de permitir que alguém a matasse, ainda que o animal representasse um perigo iminente a toda a sociedade. Assim, resolveu, por sua conta e risco, tentar conduzir Orca de volta à piscina.
O problema não foi conseguir restituir o animal à piscina, e sim, mantê-lo lá. Isso porque a Orca, que já tinha conhecido o mundo do lado de fora d’água, tinha achado muito mais interessante devorar passantes do que continuar em seu nado quadrangular. Quando começava a se sentir entediada, portanto, a Orca dava um pulinho e sua sorte mudava.
Inconformada com a situação, a dona construiu um muro imenso ao redor da piscina: Orca nunca mais entraria em contato com o mundo externo. Mas a orca, que, além de louca de esperta, não queria ficar confinada à sua piscina quadrangular, deu um golpe de mestre: devorou o muro. E, não satisfeita, comeu também sua dona.
O mundo era seu, enfim.


Nota: essa história não é uma simples piração. Ela retrata um sonho que tive há alguns dias e os símbolos contidos na história possuem seus devidos significados em um dado contexto.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sanatório

Ela foi chamada com um aviso de que o Sr. Walide havia defecado em suas próprias calças. Quando isso acontecia, as roupas eram imediatamente descartadas e os excrementos, separados em um saco plástico para serem eliminados. O Sr. Walide, no entanto, pensava em suas fezes como um prêmio, que deveria ser sorteado às quartas-feiras, junto com os pães. “Quem quer ganhar minha merda? Podem comer bastante, fica uma delícia com pão!”, ele bradava.


Ela pensava que aquele trabalho era difícil, mas muitos pacientes conseguiam colaborar. No entanto, havia casos excepcionais, como o de Sr. Walide...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não gostou


Cursou Direito por insegurança à época, mas descobriu que não gostava de leis. Leis eram retrógradas e unilaterais. Posteriormente cursou Psicologia, mas descobriu não gostar de pessoas. Pessoas tardam a morrer e passam anos enchendo o saco. Não são como os animais, que vivem os poucos anos que possuem distribuindo alegria e afeto por aí. Poderia ter cursado Medicina Veterinária, mas não saberia lidar com perdas – animais morrem muito rápido e facilmente. Por que não são como as pessoas sob esse aspecto (apenas sob esse)? Descobriu não gostar de perdas. Observou tudo e guardou numa caixa para ser analisado. Por fim, concluiu: não gostou e jamais gostaria de nada.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Meio sim, meio não


Mais uma vez o despertador tocava às 7 da manhã. Eu havia trocado o dia pela noite, assim como em quase todos os outros dias no último mês. Ter que me levantar, pentear os cabelos, escovar os dentes e sair de casa pra trabalhar, a troco de quê? De um salário que seria quase que inteiramente gasto com supérfluos, como seria de se esperar de um almofadinha de merda? Isso não me servia. Eu não esperava nada da vida, tampouco precisava de dinheiro porque poderia muito bem viver como um andarilho por aí, à margem dessa sociedade imunda. Eu não queria ter nem ser, apenas ansiava por uma saída que jamais viria. E enquanto isso eu me sentia como um personagem de Bukowski, às vezes sacana, às vezes deprimido, às vezes solitário e quase sempre fodido.

Trechos

Jamais haveria um jeito de eu viver confortavelmente entre as pessoas. Talvez eu me tornasse um monge. Fingiria acreditar em Deus e viveria num cubículo, tocando órgão e eternamente embriagado de vinho. Ninguém foderia comigo. Eu poderia entrar numa cela e ficar meditando durante meses sem ter que ver a cara de ninguém, apenas o vinho chegando, sempre. Havia, porém, um problema: os hábitos negros eram de pura lã. Eram piores que o uniforme da R.O.T.C. Eu não poderia vesti-los. Precisava encontrar outra solução.

[Misto-Quente, Charles Bukowski]

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Trechos

Os livros sobreviveram à televisão, ao rádio, ao cinema falado, às circulares (revistas primitivas), aos diários (primeiros jornais), ao teatro de bonecos de Punch e Judy e às peças de Shakespeare. Sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, à Guerra dos Cem Anos, à Peste Negra e à queda do Império Romano. Sobreviveram inclusive à Idade Média, quando quase ninguém sabia ler e cada livro tinha de ser copiado a mão. Eles não serão exterminados pela Internet.

[Dewey - Um gato entre livros, Vicki Myron]

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Trechos

Morro dos Ventos Uivantes é o nome da propriedade onde o sr. Heathcliff vive, nome da tradição local, só por si revelador da inclemência climática a que o lugar está exposto durante as tempestades. Ar puro e vento revigorante é coisa que não falta a quem vive lá no alto: adivinha-se a força dos ventos do norte que varrem as cristas das penedias pela acentuada inclinação de alguns abetos raquíticos que guarnecem os fundos da casa e pelo modo como os espinheiros do cercado estendem os seus braços descarnados todos na mesma direção, como se a implorarem ao sol a dádiva de uma esmola.

[Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë]

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Carta de Natal


Minha querida família,

Infelizmente não pude estar presente nesse natal. Não espero que entendam os motivos, mas eu já sabia que esse natal seria mais triste que os outros e me doi ter que conviver com isso, principalmente por saber que a pessoa que eu mais amo é uma das que mais está sofrendo. O objetivo dessa carta é mostrar que, mesmo distante fisicamente, nunca me esqueço de vocês.

Mãe, é você a pessoa que eu mais amo nesse mundo. É graças a você que eu venho tentando lutar contra todas as coisas ruins que tem me acontecido. É você o meu porto seguro, a minha fortaleza e a minha esperança. Te desejo um natal abençoado e muitas renovações para o ano vindouro. Quero muito te ver feliz, porque só assim eu também estarei feliz. Estou com saudades desde já!

Pati, já sinto falta da sua comida deliciosa e das risadas com as suas loucuras. Obrigada por todas as preces que você me dedicou nesse ano, obrigada por todo o carinho e amizade. Nossa pouca diferença de idade permite que eu te veja não apenas como tia, mas também como amiga – uma amiga querida e muito especial. Um feliz natal pra você, pro Fer, pro Ni, Melzinha e Soninho! Vocês são muito amados e estão no meu coração.

Tio Toni, você e a tia Sil foram meus espelhos desde a infância. Sinto um carinho enorme por vocês e pelas crianças – A Kaka, essa princesinha linda e o Ri, esse menino tão inteligente e carinhoso. Que Deus continue iluminando todos vocês e que em 2013 todos nós possamos passar mais tempo juntos (sinto falta disso). Vocês são muito importantes pra mim! Um beijão!

Tia Maria, não sei se você estará presente nesse natal. De qualquer forma, esteja você onde estiver, só tenho a te agradecer. Você me ajudou muito com suas preces, seu sorriso e sua presença. Tudo isso foi essencial para que eu pudesse atravessar tantos problemas nesse ano. Eu te amo, tia! Um ótimo ano novo pra você, pra Dani, pro Thiago, pra Lidiane e o bebê e pro Rafael.

Rafa, que saudades das suas palhaçadas! Você sabe o quanto é querido por toda a família, né? Por mim então, nem preciso dizer! Um beijo e muita felicidade na sua vida, meu irmão! Que Deus te abençoe não só nesse natal e ano novo, mas sempre. Amo você!

Valéria... olha, meu tio teve muita sorte. Você é tão querida! Tenho certeza que não só eu, mas toda a família se orgulha muito em tê-la conosco! Não era à toa que meu tio estava tão apaixonado. Parabéns por ser essa graça de pessoa, por ser tão íntegra e alegre! Que você e a Isa tenham um ótimo natal e um réveillon muito próspero! Adoro vocês!

Felipe, não sei se você comemora o natal. Mesmo assim, te desejo um feliz natal e um ótimo 2013. Estou orgulhosa com a sua aprovação. Seu pai não caberia em si de tanta felicidade, tenho certeza. Gostaria de te ver mais vezes! Gosto muito de você, menino! Muito mesmo! Beijos pra você e pra Mari.

Vó Cida (alguém leia isso pra ela e faça com que ela preste atenção, por favor). Vó, eu te amo muito. Tive tanto medo de te perder esse ano... ainda bem que você continua aqui, feliz, cantando e sorrindo. É assim que quero te ver sempre! Um feliz natal e um ótimo ano novo, viu? Ah, e caso você já tenha esquecido vou falar de novo: eu amo muito você!

Como eu queria poder abrir um tópico nessa carta e escrever algo para o meu tio Mi... com certeza eu escreveria que ele foi mais que um tio e mais que um padrinho, foi o pai que eu não tive. Escreveria que ele mora no meu coração, assim como ele dizia pra mim. E ele provavelmente choraria ao ler, assim como eu estou chorando agora, enquanto escrevo essa carta. Mas acredito que mesmo que não possa ler isso agora, ele já saiba todo o teor. E também acredito que ele está feliz onde quer que esteja, por isso não devemos ficar tristes pela ausência física dele nesse natal. Ele gostaria de nos ver felizes, comendo churrasco e tomando caipirinha. Esse vai ser sempre o meu tio! E ele sempre estará conosco, ainda que não fisicamente.

Pensem em mim nesse natal como se eu estivesse aí com vocês, assim como o meu tio. Porque de coração e de alma, eu estarei – e ele também.

Um feliz natal, família Porcel.
Eu amo vocês.

Aline.