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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Partida

Nunca consigo. Quando toco depois no meu próprio rosto e, no limite dos dedos, percebo sulcos fundos ou bruscas protuberâncias na superfície da pele, pergunto se não teriam nascido ou pelo menos começado a afundar depois daquela partida. Parece-me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas-separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar assim o rosto dos que ficam.

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mais uma vez caio.

Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem.

(Caio F.)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Caio F.

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada...

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tributo

Poema que o Leo fez pra mim.
E eu, claro, me senti lisonjeada.




Você merece um poema

Segue em linha reta até onde a rua acaba
Segue em linha reta até quando a linha é curva
Não dorme ainda, espera pra chegar até o final
Qu'é pra não se perder, porque eu já me perdi

Segue em linha reta para onde a luz aponta
Segue em linha reta e esquece essa distância
Amanhã quero acordar e me perder um pouco mais
Porque eu já esqueci como é me perder
.
Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você até merece um poema

Quinta-feira não é dia de nada
Não tem futebol na TV, não tem festa,
Não é início de semana, nem final
Era pra ser só o dia que antecede a sexta
.
Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você vai virar poema.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Tributo a Caio III

Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como está. Feche as portas, não pague as contas nem conte a ninguém. Nada mais importa, agora você me tem, e agora eu tenho você. O resto? Ah, o resto são os restos e não importam.
.
[Anotações sobre um amor urbano]
.
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Estou demorando para postar e para responder os comentários porque estou viajando. Assim que eu voltar, tudo retorna aos conformes.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tributo a Caio II

- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?

- Eu.


[Quando Saturno encontrou Júpiter]

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Tributo a Caio

Hoje começo uma série de posts em homenagem a Caio Fernando Abreu.
Apenas trechos.


tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista, elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.


[Os Sobreviventes]