Porque há sempre um desencontro de fatos, de informações e de interpretações, e nesse contexto, coisas importantes vão sendo perdidas pelo caminho.
Hoje eu preciso apenas que você diga o que eu quero ouvir.
Prefiro a solidão.
Se eu fujo do mundo e mergulho nos meus pensamentos, se eu sento na grama e passo quase uma hora contemplando um céu que se divide em três, um terço azul escuro, um terço azul claro e um terço laranja, é porque eu prefiro a solidão.
É na solidão que eu posso me perder nas minhas próprias insanidades, nos meus medos, nas angústias que um terceiro jamais poderia entender. É na solidão que eu posso ser eu mesma.
E desconfio que seja essa a minha sina.
Uma sensação assim, metade absurda, metade doentia. Começa por culpa minha, admito. Vem a dor de cabeça, depois as ânsias de vômito, o mal estar, as tonturas, a vontade de deitar e não acordar mais, quem sabe enfim, ter paz.
Eu quis escrever várias coisas sobre esse dia, mas a verdade é que pouco sei sobre mim – e isso dificulta meus propósitos. Completo hoje 22 anos sem saber o que me aconteceu ontem, e sabendo menos ainda sobre o que me vai acontecer amanhã.
Sabe, às vezes tenho a sensação de que tudo aquilo que vivi não foi real, como se o passado jamais tivesse existido, como se fosse mera invenção minha, como se toda a minha vida fosse um sonho e a qualquer momento eu pudesse acordar - para a morte. É assim que penso e pra mim faz todo o sentido: a morte como a realidade de todos nós, e a vida, esse sonho que construímos diariamente.
Meu sonho completou hoje 22 anos.
E eu ainda quero sonhar muito.